Uma coisa podemos afirmar com propriedade: se você atua em um laboratório de saneamento, certamente utiliza um espectrofotômetro no dia a dia. No setor de saneamento, esse equipamento é tão essencial quanto a chuteira para um jogador de futebol, é indissociável o laboratório de saneamento do espectrofotômetro.
Para que as atividades relacionadas à qualidade da água gerem análises confiáveis e garantam que a água chegue com segurança às residências em todo o país, é fundamental a realização de análises por espectrofotometria. É claro que diversos outros equipamentos também desempenham papéis importantes nesse processo, mas o foco deste artigo será o espectrofotômetro UV/VIS, peça-chave nas rotinas analíticas do saneamento.
Por isso, acompanhe a gente neste conteúdo. Inicialmente, vamos falar de forma prática sobre esse instrumento de medição, destacando, assim, os cuidados e as boas práticas que ajudam você a obter resultados mais precisos, confiáveis e alinhados às exigências técnicas do setor.
O espectrofotômetro
Vamos começar pelo básico: o que é um espectrofotômetro?
O espectrofotômetro é um instrumento amplamente utilizado em análises químicas e bioquímicas para medir a absorção ou a transmissão da luz por uma solução. Seu princípio de funcionamento é simples e altamente eficiente: uma fonte de luz emitida que é direcionada, por meio de um sistema óptico (lentes ou monocromadores), até a amostra. Em seguida, um detector mede a intensidade da luz que atravessa ou é absorvida pela amostra.
A amostra é posicionada em um compartimento específico do equipamento, normalmente em uma cubeta. Ao comparar a intensidade da luz incidente com a luz transmitida ou absorvida, o espectrofotômetro permite determinar a concentração ou a quantidade de uma substância presente na solução, com base em relações físico-químicas bem estabelecidas.
Esse instrumento foi inventado em 1940 por Arnold J. Beckman, em conjunto com seus colegas da National Technologies Laboratories, empresa fundada por ele em 1935. Sob a direção de Howard H. Cary, a equipe desenvolveu o projeto que deu origem ao espectrofotômetro moderno, revolucionando as análises laboratoriais e estabelecendo um novo equipamento de medição.
O que é a espectrofotometria?
Segundo o DOQ-CGCRE-096, a espectrofotometria é um conjunto de processos analíticos que utilizam a luz como princípio de medição, baseando-se na absorção de energia eletromagnética pelas moléculas. Esse fenômeno está diretamente relacionado tanto à concentração quanto à estrutura molecular da substância analisada.
De forma didática, a espectrofotometria de absorção pode operar nas regiões do ultravioleta (UV), visível (VIS) ou infravermelho (IV), de acordo com o intervalo de frequência da radiação eletromagnética utilizada. Essas técnicas permitem identificar e quantificar substâncias e desempenham papel fundamental em análises químicas, ambientais e de saneamento.

Confiança nos resultados de espectrofotômetros
Agora que já entendemos o que é a espectrofotometria e conhecemos melhor o equipamento, é importante avançar para um ponto essencial: como garantir resultados confiáveis nas análises.
De acordo com o DOQ-CGCRE-096, o laboratório assegura a confiabilidade dos resultados de medição principalmente por meio da rastreabilidade metrológica e da estimativa da incerteza de medição, conforme os critérios estabelecidos pela Inmetro. Ter confiança nos resultados é crucial, pois eles impactam diretamente a tomada de decisão, o atendimento a requisitos legais e a segurança dos processos.
Para que um espectrofotômetro apresente medições confiáveis, alguns fatores são indispensáveis, como a calibração periódica, a manutenção preventiva, a verificação do desempenho do equipamento e o correto uso operacional. Esses cuidados garantem análises mais precisas, seguras e alinhadas às exigências técnicas e normativas do setor.
Calibração de espectrofotômetros UV/VIS
A calibração de espectrofotômetros é de extrema importância para assegurar a qualidade e a confiabilidade dos resultados obtidos nas análises de amostras. Para isso, é fundamental identificar os fatores que influenciam os resultados das medições e avaliar periodicamente o desempenho dos equipamentos. Conhecer a incerteza de medição é um aspecto crucial, pois permite interpretar corretamente os resultados gerados pelo equipamento e compreender o nível de confiança associado às medições.
De acordo com a ABNT NBR ISO/IEC 17025, o laboratório deve calibrar todos os equipamentos utilizados em medições que impactem significativamente a exatidão ou a validade dos resultados antes de colocá-los em uso, a fim de garantir a rastreabilidade metrológica das medições.
Esse cuidado torna-se essencial em função da diversidade de materiais e matrizes analisadas, bem como da frequência e da periodicidade de uso do espectrofotômetro.
Portanto, a calibração periódica do espectrofotômetro é indispensável para obter medições precisas e resultados confiáveis, atendendo aos requisitos técnicos e normativos.
O espectrofotômetro possui duas escalas fundamentais que o laboratório deve verificar e calibrar: a escala de comprimento de onda e a escala fotométrica. Nesse sentido, ambas influenciam diretamente a avaliação dos parâmetros medidos e o desempenho global do instrumento. Além disso, para a realização dessas verificações, recomenda-se o uso de materiais de referência específicos, tanto para checagens intermediárias quanto para a calibração propriamente dita.
Dessa forma, assegura-se a rastreabilidade metrológica e a confiabilidade dos resultados de medição em todas as áreas que utilizam a técnica espectrofotométrica em suas análises.
Manutenção Preventiva de Espectrofotômetros
De acordo com o item 6.4.3 da ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017, os laboratórios devem estabelecer e manter um procedimento documentado para a manutenção planejada dos equipamentos. Esse procedimento deve descrever claramente como o laboratório realiza o controle e o registro de todas as manutenções executadas, garantindo a rastreabilidade, a organização e um histórico confiável dos equipamentos.
O procedimento deve contemplar obrigatoriamente a manutenção preventiva como uma de suas ações. Nesse contexto, segundo o DOC-Cgcre-096, documento orientativo da Coordenação Geral de Acreditação (Cgcre), a manutenção preventiva consiste em um conjunto de ações planejadas e sistemáticas. Assim, ela tem como objetivo evitar a ocorrência de falhas nos equipamentos e preservar seu desempenho ao longo do tempo.
Entre as principais características e benefícios da manutenção preventiva, destacam-se:
- Planejamento das intervenções: a equipe programa a manutenção preventiva e executa as atividades em momentos adequados, sem comprometer o funcionamento do equipamento nem a rotina do laboratório;
- Preservação da confiabilidade: ao reduzir a ocorrência de falhas inesperadas, a manutenção preventiva contribui diretamente para a qualidade e a confiabilidade dos resultados analíticos;
- Integridade física e vida útil: a manutenção regular ajuda a manter a integridade do equipamento e a prolongar sua vida útil, reduzindo custos com reparos corretivos e substituições;
- Redução de paradas não programadas: ao evitar ou atenuar falhas, a manutenção preventiva aumenta a confiabilidade operacional e diminui a probabilidade de interrupções inesperadas nos processos laboratoriais.
Intens específicos destacados no DOC-Cgcre-096
- No ambiente do laboratório, a manutenção deve se limitar à limpeza externa do equipamento e do compartimento de amostras. Técnicos treinados e com experiência comprovada realizam a troca de lâmpadas. Esses profissionais impedem a abertura do equipamento por pessoas sem a devida qualificação técnica.
- Quando uma empresa externa executar a manutenção, ela deve contar com técnicos de comprovada competência técnica. Serviços superficiais ou negligentes, sem a execução de todas as rotinas e testes necessários, podem deixar falhas não detectadas. Essas falhas podem gerar problemas futuros e comprometer a confiabilidade do equipamento.
Em resumo, a manutenção preventiva garante a confiabilidade, o desempenho e a durabilidade dos equipamentos laboratoriais.
O procedimento de manutenção planejada deve definir e implementar claramente essa ação.


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